JOSÉ ADÁN CASTELAR
( HONDURAS )
Nasceu em Yoro, Honduras, em 1941.
Poeta do grupo literário La voz convocada, da cidade de
La Ceiba.
Importante figura do jornalismo de Honduras. Sua linguagem poética, serena e simples, comove pela marca pessoal de seu lirismo. Sofre com a dor do seu povo. Poesia da cotidianidade.
Alguns de seus livros: Entretanto (1979). Sin olvidar la humillación (1987), Tiempo aganado al mundo (1989),
Venus en el campo (2001).
MELLO, Thiago de. Poetas da América de canto castellano. Seleção, tradução e notas de Thiago de Mello. São Paulo: Global, 2011. 495 p. N. 02 811
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
TEGUCIGALPA
Venenos e trampas nos rumos
do dia.
Monstros nos jardins
e a canção do mar
sem um amante da cidade
de pedra
Paraíso de víboras
cães tomando sol
e Tezcatipoca ensaguentando
as fontes e as praças.
POEMA DO AMOR COM FOME
Nem bela nem feia, ela é o que é:
a minha mulher
e mais: o meu amor,
a completa ternura,
o silêncio que sabe esperar,
falar.
Ela me ama assim como eu sou:
gordo, feio, refeio,
sempre na luta, laboriosamente,
folgazão,
esquecidiço e escravo sem remédio
do café, inimigo terrível
dos pobres insetos caseiros,
da areia na cama,
na poeira das camisas.
Eu a quero assim, nem bela nem feia,
como minha mulher, é o que ela é,
meu lago doméstico,
minha paisagem humana,
a outra metade verdadeira,
a meia laranja que não espremo,
que beijo,
que defendo,
que encho de poemas
e de fogos honrados.
E enquanto ela
ainda crê em rezas,
em santos que urinam,
em virgens que não o foram nem mesmo no deserto,
eu lhe tolero sem juízos seus tremendos defeitos
e os meus eu aconchego nas mãos dela.
enquanto me chama gordo o jantar está servido,
o café,
a cerveja (como uma onda engarrafada)
aqui está o sabão, a toalha,
a hora exata de botar da casa, da sala de jantar,
de tua impaciência, carinho,
as moscas.
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Página publicada em março de 2025
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